O Banger que vai pro carimbó A paty que vai pro reggae A catuaba e a Sapupara O Guaraná da Amazônia Cerveja ao alvorecer no Veropa Tapioquinha nas esquinas Patchuli na roupa da vó Morenas únicas Sem Jacaré nas ruas Manga City é tucupi Cachaça na feira do açaí São todas as tribos no pavulagem É orla de icoraci Waldemar Henrique Caipirinha do vadião Buscapé na Marambaia Chiquita e Peregrinação É outeiro segunda feira É cheira cola fedorento É Sacramenta, pedreira Bengui, Jurunas, Marco Tapanã, Satélite, Tenoné Comércio, Campina Nazaré, Guamá Até Ananindeua pode. Está na rota de diversidades A transação é pra quem é esperto Pra quem não cai em migué Pra quem saca o bizú É esperar bonde no meio da rua É ouvir o mesmo brega o dia todo É brasilandia no estrelinha É acordar com um calor do cão E quando for sair cair o maior toró É sentir o cheiro da terra molhada É olha pro céu e pensar: Por que justo nesse fim de mundo? E ver uma manga cair em cima de um carro!
Parei de beber! A partir de Hoje Não ponho uma gota Deste líquido maldito Na minha boca Cansei de sofrer Cansei de cair Quero minha dignidade de volta Quero meus parentes E meus verdadeiros amigos De volta, perto de mim Chega de intensificar as cores da vida Chega de festejar Chega de morrer Chega de procurar motivos Chega de toda essa leviandade baquiana Agora sou discípulo dos que não se precipitam Eu aponto dedos e digo que não fui correto E busco para mim a complacência O perdão e o direito da soberba Que assola quem não bebe E joga na cara de quem o faz. Agora eu faço parte de uma única visão de mundo Não me aproximo de quem comete excessos A partir de hoje o manhã não será um péssimo dia Agora sim eu sei o sentido da vida! Eu parei de beber Até a consciência parar de doer.
Resmungando de forma parva o homem se fez comunicativo, Mas só com uma padronização bastante ordenada É que se conseguiu evoluir da idade da pedra lascada Para verbos, pronomes, adjetivos e substantivos.
A filosofia também ajudou nesta difícil empreitada Que é falar e, diante de todos, ser bem compreendido, Então se começou a escrever a fala e tudo estava “perdido”, Pois estava completa a tríade que fundamenta essa jornada.
Da fala única chegou-se a uma grande torre de babel. Expressar o mesmo sentimento de várias maneiras. E Mesmo sendo a maior identidade de um povo é passageira,
Pois a língua muda afinal à evolução é uma coisa rotineira E querer impedir este tipo de ação tem muito mais fel. Melhor é ser corajoso, desafiar Deus e tentar encostar o dedo no céu.
A morte me beijou a face e disse: -Não há verbo do outro lado. Agora minha vida é um ponto no meio do nada E ela tem que ser mais que um sonho niilista. O motivo das coisas pode ser sem razão A razão dos motivos pode ser sem lógica E a lógica pode ser apenas uma determinação Mas antes que eu caia duro e descubra que perdi tudo Eu serei aquilo que eu quiser ser. Eu farei aquilo que eu quiser fazer Porque não há medo em morrer Mas medo de nunca mais poder viver. E morrer feliz é morrer sabendo Que se esmagou à vida na sua mão E espremeu dela toda a sua loucura E bebeu com prazer na arte, Antes que o tempo a fizesse escorrer entre seus dedos. E agora eu me sinto muito melhor Por encontrar o MEU caminho. Que não tem razão, sentido ou lógica, Mas que eu já determinei, será bem vivido.
No brilho externo das luzes iminentes No olho do furacão minha carne treme Nas veias corre a invencibilidade E a mente flutua entre o nada aparente Não há mais motivo para se conter Vou transbordar esse copo A plenitude será apenas um mero devaneio Eu serei a perfeição Até amanhã de manhã Até tudo se acabar e eu voltar a ser demasiado Quando eu não for mais álcool, apenas algo. Quando eu for apenas à imagem da decadência Quando eu for aquele que os deuses tocam na face E dizem que perdoam e abençoam Mesmo com tantos pecados cometidos. Este é um prelúdio de uma situação homérica, O index das atitudes corrompidas E a vida fazendo sentido Sou eu arruinando com tudo.
Recebi o zine Relicário de Palavras da Aline Flores, muito bom. Essa entrevista me deu muitas idéias acho que pode incitar quem passar por aqui.
Jovens criam projeto independente para noticiar e incentivar a literatura de fanzine Por Aline Ebert
A Zinco (Centro de Estudo, Pesquisa e Produção em Mídia Independente) faz um trabalho bastante interessante no que diz respeito em noticiar e instigar seus leitores acerca de mídias alternativas, principalmente os fanzines. A base do site fica em Fortaleza (CE), mas ele recebe notícias sobre o assunto de todo o Brasil. Estão bolando, também, uma Zineteca que pretende abrigar diversos títulos de todo país. Abaixo, um bate-papo, via e-mail, que tive com a Thaís Aragão, uma das idealizadoras do projeto.
Dissonância -Como surgiu a idéia da Zinco?
Thaís Aragão - Se fôssemos sérios na saudável ambição de tornar nossos sonhos realidade, um dia a Zinco teria que acontecer. Era uma idéia que todo mundo tinha na cabeça. São pessoas que fazem oficinas de zines na cidade, pessoas que fazem zine na cidade, pessoas que pensam democratização da comunicação, pessoas que pensam cultura pop e reciclagem da mídia, pessoas que querem fazer contato.
Dissonância -E tua relação com os zines?
TA - O chato de ser aluno de comunicação era que, ao contrário do que imaginava antes do vestibular, a gente quase não escrevia sobre o que gostava. Quase não tinha veículo de comunicação impresso por lá, e esta era a minha praia. Aí comecei a fazer o zine Grapete, em 1996.
Dissonância - Faz parte também do selo Gerador Music. Como está o Selo? Também com uma Revista, não é?
TA - Agora a Gerador está trabalhando principalmente com O Quarto das Cinzas, uma banda de som e apresentação hipnotizantes. Guitarras, groovebox, bons graves e vozes femininas. Ela está na capa da Revista Gerador, que é uma forma de falarmos da música do selo, de literatura, artes plásticas, tecnologia e truques interessantes para um dia-a-dia mais esperto.
Dissonância -E a cena de zines no Nordeste? Recentemente aconteceu um evento...
TA -Acho que onde tem mais zines hoje é em Fortaleza e em João Pessoa. Uma comitiva da Zinco cruzou o Rio Grande do Norte num Fiat Uno movido na gás natural para chegar à Mostra de Cultura Alternativa da Paraíba, em fevereiro. Tinha zineiro de Natal, zineiro de Recife, zineiro de Salvador. Além, claro, dos anfitriões. O professor Henrique Magalhães, que é autor de "O Que É Fanzine", da Brasiliense. Jesuíno André, do selo/zine Musicland. As videomakers zineiras Las Luzineides. Inclusive elas estão vindo para o Cine Ceará. E faremos um Zine-se (evento dedicado a troca e exposição de zines) nas escadarias de mármore carrara do soberbo e tradicionalíssimo Cine São Luiz, a primeira sala Siberiano Ribeiro do Brasil.
Dissonância -Como é o projeto da Zineteca?
TA - Em Fortaleza, os zineiros sempre estiveram próximos uns dos outros. Fizeram grupos, mantêm encontros regulares de troca-troca de zines.Todo mundo tem seu pequeno e precioso acervo em casa, mas todo mundo também sempre pensou em compartilhar tudo isso. As coleções já estão reunidas, e mais outras têm chegado. Agora a gente passou da fase da inspiração e está nos 90% de transpiração, escrevendo projetos para captar recursos e viabilizar a implantação de uma zineteca em sua parte física e organizacional.
Dissonância -Para onde zineiros interessados podem mandar seu material?
TA - É só enviar dois exemplares do zine para a caixa postal 52869, cep 60151-970, Fortaleza-CE. Um é para exposição. Outro é para o acervo fixo, aberto apenas aos pesquisadores avançados que nunca vão pensar em roubá-lo. Zine é patrimônio imaterial.